Domingo, 11.03.12

No dia 30 de Janeiro do corrente ano, deu-se um evento nevrálgico no panorama político angolano, sob o auspício do actual Presidente da República, José Eduardo dos Santos, a nomeação para o cargo de Ministro do Estado e da Coordenação Económica de Manuel Vicente, ex-Presidente do Conselho da Administração da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol). Constituindo-se, assim, como o braço-direito do Chefe de Estado, em virtude deste facto, torna-se também no mais sério candidato à sucessão do poder. Mas a Constituição da República de Angola de 2010 (CRA), estipula no seu art.131º/nº1 que, é eleito Vice-Presidente da República o candidato número dois da lista, transmitindo-nos a ideia de que seria Fernando da Piedade Dias dos Santos, actual Vice-Presidente de Angola, o substituto natural e não Manuel Vicente.

Esta relação dicotómica entre o enquadramento legal de sucessão do poder e o nome indicado pelo Presidente, remete-mos para a seguinte afirmação:

 A lógica da sucessão “legal”e as estratégias que dela decorrem estão fortemente ligadas à estrutura do poder, Diop e Diouf (1998:145).

 A centralidade do poder encontra-se na presidência, sob liderança de José Eduardo dos Santos, que detém um controlo minucioso das estruturas de poder e das relações entre as elites. Note-se que no ramo militar tem destituído inteligentemente diversas chefias, sendo esta uma forma de conter qualquer ascensão no seio do exército. Por outro lado, o Presidente Angolano governa de acordo com uma lógica clientelar, suportado pelas elites político-económicas, que permite a manutenção do status quo. É neste justo sentido que, a socióloga francesa, Christiane Messiant, especialista em questões angolanas, classifica o sistema político angolano como sendo hegemónico. A constituição angolana prevê uma separação efectiva de poderes, no entanto, tal não se verifica. Observa-se uma predominância política do actual chefe de Estado e uma remissão das outras instâncias políticas para um plano secundário.

Esta situação verifica-se, em parte, devido a dois eventos substantivos. O primeiro factor, a guerra civil, possibilitou a expansão dos poderes do Presidente. No ano de 1984, em plena guerra civil, fundou-se o Conselho da Defesa e Segurança, cuja missão era combater o exército da UNITA e da África do Sul. Os seus membros eram escolhidos pelo Presidente do Partido e também Presidente da República. Este poder de nomeação permitia que José Eduardo dos Santos colocasse os homens da sua confiança no órgão mais importante do país.

O segundo factor, a liberalização económica transversal a todo continente africano, facultou aos líderes políticos uma oportunidade de ampliar os seus poderes. No caso especifico de Angola, Hodges refere que:

As reformas económicas mais rápidas e de maior alcance, que começaram em 1990-1991, foram acompanhadas por uma rejeição explícita e formal do marxismo-leninismo, sem que tivesse lugar nenhuma mudança no topo da direcção política. Hodges (1998:68). Esta conjuntura política e económica permitiu que o  Presidente José Eduardo dos Santos constituísse uma nova elite essencial para a sua permanência no poder.

Assinalamos que qualquer processo de transição de poder acarreta já de si uma tensão e apreensão, seja nas elites envolvidas no processo, como na população em geral. Ambas ficam num estado de expectativa face ao resultado da transição de poder. A nosso ver, os maiores obstáculos, no caso angolano, colocam-se na articulação e na agregação de interesses manifestos das elites com o novo poder político. Por um lado, as elites políticas e económicas, aproveitando a fase de estruturação de um novo poder, agem no sentido de ampliar a sua influência no processo de making decisons.

Já as elites militares também adoptam uma postura de condicionamento da agenda política, no sentido, de assegurarem a sua influência junto do novo líder. Por fim, as novas elites tecnocratas, à semelhança das restantes, tentam tirar partido do período de transição de poder, visto ansiarem por uma ascensão económica. Devemos ainda avançar com outro obstáculo: o aumento das capacidades cognitivas da população e consequente consciencialização das condições de vida. Os cidadãos instruídos poderão colocar em causa o novo poder, caso este não resolva os seus problemas proeminentes.

Por último, afigura-se um jogo de extrema complexidade prever o final de um processo de transição de poder, ainda mais quando é formulada como uma hipótese, isto é, a possível sucessão de poder em Angola. Ainda assim, estabelecemos dois rumos políticos a serem seguidos: o primeiro, a construção de uma nova hegemonia política sedimentada na figura do novo líder; e o segundo, uma maior abertura do regime criando condições institucionais suficientes para uma liberalização política de facto. Sendo certo que, observarmos ainda no sistema partidário angolano uma hegemonia do MPLA, resultante da ausência de uma alternativa política sólida e antagónica em termos programáticos. No entanto, verificamos já uma clivagem política centrada no eixo económico, colocando em sentidos distintos as velhas elites e as novas elites. Cada uma procurará ampliar a sua influência junto do novo líder político, podendo abrir uma luta de facções políticas no seio do MPLA. Também, as camadas mais desfavorecidas reclamam melhores condições de vida, e num contexto de nova liderança esta pressão vai aumentar. Por isso tudo, torna-se deveras complexo apontar um rumo para Angola, ainda assim, estaremos atentos ao desenrolar da vida política deste país.



publicado por Sérgio Dundão às 00:50 | link do post | comentar

Sábado, 21.01.12

Diz-se que a Maçã era uma das frutas preferidas de Gregos e Romanos e que estes a levaram de Roma para a Inglaterra. Só mais tarde os ingleses a conduziram para América e hoje em dia a China é o seu maior produtor mundial. No entanto, este não é um post sobre fruticultura mas sim sobre inspiração ou melhor sobre a falta de. O mais célebre mito histórico que envolve maçãs e ideias remonta-se a Newton. Segundo William Stukeley (1752): "Depois do jantar, com o tempo ameno, fomos para o jardim e bebemos chá, debaixo da sombra de algumas macieiras. Isaac disse-me que quando o conceito de gravidade lhe surgiu estava na mesma situação. [O pensamento] foi provocado pela queda de uma maçã, enquanto se sentava de forma contemplativa. 'Porque deve aquela maçã descer perpendicularmente em direcção ao chão?', pensou ele para si."

 

Os tempos passaram e outros visionários encontraram neste singelo fruto uma fonte de inspiração. De tal forma que este mês a Apple atingiu o valor de 400 biliões de dólares e consolidou o lugar de empresa tecnológica com o maior valor de mercado. Sobre os suportes da inovação e da qualidade o império resiste aos tumultos da crise económica e continua a crescer mesmo após a queda do seu principal pilar – Steve Jobs.

 

O lucro da Apple levanta o dilema de quando as empresas valem mais que os Estados. Neste caso a marca atinge valores superiores ao PIB de alguns países da União Europeia como a Grécia Áustria e Dinamarca e curiosamente mais que os 32 bancos da zona Euro.

Perante este cenário levantam-se duas questões: É a empresa Americana que cresce demais ou são os Países Europeus que não crescem o suficiente? No entanto talvez seja mais pertinente questionar de que forma se deverá reposicionar a economia europeia na nova lógica do comércio internacional?

 

Enquanto esta resposta tarda em chegar a Europa contempla o mundo que passa e que antevê o seu declínio. Os ‘chás’ em Bruxelas não são tomados sob a amena sombra das macieiras nem tão pouco as maçãs já respeitam as leis de Newton. Não caem, bem pelo contrário, seguem o movimento oposto em benefício da saúde económica americana.



publicado por Miguel Lacerda às 05:35 | link do post | comentar

Quarta-feira, 18.01.12

 

Os últimos tempos têm sido tempo de democracia cristã na Europa. À medida que a crise económica alastrou os últimos governos socialistas da península ibérica caíram. Factor que possibilitou às lideranças das instituições europeias um período privilegiado ou se preferirem hegemónico. Os democratas-cristãos para além de deterem a maioria no parlamento europeu reuniram a confiança e simpatia quer do presidente do conselho europeu quer da comissão e até mesmo das presidências rotativas que se revêem na mesma coligação europeia e nas linhas que estão a ser edificadas, nas quais prima o rigor e disciplina fiscal. A austeridade como via única e necessária.

 

Ontem com a escolha de Martin Schulz face ao conservador Nirj Deva e à liberal Dianna Wallis, o parlamento Europeu passou a ter uma liderança à esquerda algo que já não acontecia desde 2007. Sendo líder do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas Europeus e nomeado para esta eleição por unanimidade, partiu como figura óbvia para vencer esta processo no entanto poderiam os socialistas europeus ter encontrado uma opção mais segura?

 

 

A questão prende -se por três motivos:

 

1.       Baixo relevo político

O novo presidente é mais uma vez alemão mas desta vez um socialista. No entanto apresenta um currículo político tímido que não pode ser comparado ao do seu antecessor e ex primeiro-ministro o polaco Jerzy Buzek. Não apresenta também um perfil de liderança sólido mas sim um sólido percurso nos corredores do parlamento europeu. Na sua carreira destaca-se o cargo autárquico que exerceu na cidade de Würselen que associado a uma forte militância nacional lhe permitiu aceder ao parlamento europeu em 1994. Mais tarde, saltando de comité em comité foi ascendendo aos lugares de Chairmen das representações socialistas alemã (2000) e europeias (2004 e 2009). Fora a esquerda que em 2009 que se muniu de argumentos face ao baixo relevo político de Van Rompuy para um cargo de presidência europeia advogando nas vésperas da eleição que deveria ser Felipe González a ocupar o cargo. No entanto quando fora eleito Rompuy era primeiro-ministro e demonstrava capacidade para gerir conflitos e criar consensos e a mesma Bélgica que estabilizou desmoronou-se como um baralho de cartas nos meses seguintes à sua ascensão como presidente do Conselho Europeu. Este aparte faz nos recordar que em política sempre que alguém ocupa um cargo deve-mos observar que lugar deixou e para quem o deixou com intuito de perceber como irá reagir a cadeia de liderança, no entanto os mesmo argumentos socialistas que criticaram Rompy em 2009 serão agora usados pelos conservadores como arma de arremesso a Shulz.

 

2.       Discurso Federalista

A segunda vaga de críticas prende-se pelas posições políticas que Shulz tomou e irá tomar e que o tornará num alvo apetecível para as vozes menos europeístas. O novo presidente é conhecido por apelar ao projecto federal Europeu por advogar o fim do Estado-nação e a necessidade de federalizar a U.E  através do revestimento de competências e aprofundamento de poderes nas instituições comunitárias. Discurso difícil de legitimar e defender perante todas as dúvidas que pairam sobre a capacidade da união em dar uma resposta à crise económica e à pressão dos mercados internacionais. Os embates são já conhecidos e ficaram notabilizados pelo confronto com Berlusconi no qual o antigo primeiro-ministro Italiano convidou Schulz a interpretar o papel de chefe de um campo de concentração nazi e o acusou de ser um “turista da política”. Polémicas à parte subsistem as dúvidas se a nova escolha é a escolha certa para dar novas nuances ao debate europeu e apoiar /revestir com racionalidade o discurso dos seus colegas socialistas.

 

3.       Eleição ou Rotação?

A terceira controvérsia não se prenderá com o político mas sim com o processo da sua nomeação. É eleito sem eleição (no verdadeiro sentido da palavra) apoiado num pacto tácito entre os dois grandes grupos que compõem a assembleia europeia. Se no Conselho fora dado ênfase à necessidade de consenso no eixo franco-alemão aquando da nomeação de Rompy, desta vez e a nível do parlamento o consenso fora obtido da mesma forma ou seja pela negociação entre as duas forças dominantes neste caso democratas cristãos e socialistas. Se no Conselho Europeu em 2009 foram marginalizadas posições e interesses dos restantes 25 Estados membros, a nível do parlamento foram pouco importantes as vozes dos restantes grupos.

 

A importância do cargo


A base de consenso está longe de ser assegurada e o termo consenso é palavra-chave para exercer convenientemente esta posição. Para além das funções executivas que podem ser consultadas em qualquer manual de direito comunitário o presidente do parlamento europeu funciona como um embaixador da instituição. Do ponto de vista interno gera consensos no interior da assembleia e funciona como um mediador perante as demais instituições em Bruxelas. Do ponto de vista externo comporta-se como um porta-voz da união ao deslocar-se e acolher representantes internacionais possui um gabinete próprio e uma vasta corte de vice-presidentes. Em suma terá um amplo palco pessoal. Estas deslocações e recomendações não tem sido apreciadas pela comunidade internacional que revê nestes actos um paternalismo desactualizado e acusam o parlamento de ser uma instituição irrelevante.

 

 

As vicissitudes em torno desta escolha são mais uma pedra no conturbado charco que circunda o parlamento europeu que caminha sobre águas conturbadas desde a formalização do tratado de Lisboa. Cresce em número mas decai no plano político. Deambula no balanço ténue da heterogeneidade característica das alianças que o compõem. Procura ganhar visibilidade perante a comissão, conselho europeu e representações nacionais. Batalha que não será breve e muito menos será fácil. O novo tratado redesenhou uma nova assembleia mais democrática e representativa mais próxima dos 500 milhões de cidadãos europeus que representa. Porém os turnos, rotações e nomeações têm vindo a desacreditar as instituições e a própria União Europeia no mundo, factor que já levou a Irlanda e Reino Unido a problematizar a continuidade na União por via de referendo.

 

Os argumentos apresentados são uma pequena amostra das polémicas que irão circundar a U.E durante 2012. Ano em que primeiro o parlamento e mais tarde comissão e conselho europeu irão renovar as suas lideranças. Compreender as ‘escolhas’ e nomeações é fundamental para perceber que forças movem os trabalhos de uma União que se afasta cada vez mais dos princípios democráticos que fundou e exportou.

 

Quanto ao novo presidente Martin Schultz veremos se conseguirá aproveitar o turno socialista e mover através deste palco a essência da presença da aliança no seio das suas instituições como o fez Klaus Hänsch.



publicado por Miguel Lacerda às 18:38 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Domingo, 18.12.11

 

 

"Genuine politics - even politics worthy of the name - the only politics I am willing to devote myself to - is simply a matter of serving those around us: serving the community and serving those who will come after us. Its deepest roots are moral because it is a responsibility expressed through action, to and for the whole."

 

Vaclav Havel


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publicado por Miguel Lacerda às 13:29 | link do post | comentar

Terça-feira, 20.09.11

 

 

Ali: Eventually the Arab states will rise against Israel– they don’t like the Palestinians, but they hate the Jews more. It won’t be like 1967, the rest of the world will see by then what the Israelis do to us, and they won’t help when Egypt and Syria attack. Even Jordan. Israel will cease to exist.

 

Avner: I guess. Only…

 

Ali: What?

 

Avner: This is a dream. You can’t take back a country you never had.

 

Ali: You sound like a Jew

 

Avner: (smiling) fuck you. I’m the voice inside your head, telling you what you know is true. Your people have nothing to bargain with. You’ll never get the land back. You’ll all die, old men in refugee camps, waiting for ‘Palestine’.

 

Ali: (shrugs) we have a lot of children, they’ll have children, so we can wait forever, and, and… if we need to, we make the whole planet unsafe for Jews.

 

Avner: You kill Jews, and the world feels bad for them, and thinks you’re animals.

 

Ali: Yeah, but then the world will see how they’ve made us into animals. They’ll start to ask question about the conditions in our cages.

 

Avner: You’re Arabs. There are a lot of places for Arabs.

 

Ali: You’re a Jew sympathizer. All you Germans are soft on Israel, you give us money but you feel guilty about Hitler, and the Jews exploit your guilt. My father didn’t gas any Jews.

 

 

Avner: Tell me something, Ali.

 

Ali: What?

 

Avner: You really miss your father’s olive trees? The crappy village he came from? You honestly think you have to get back all that… nothing, chalky soil and stone huts? That’s what you want for your kids?


 

 

Ali: (looks directly into Avner’s eyes) It is. It abolutely is. It’ll take a hundred years, but we’ll win. How long did it take the Jews to get their own country? How long did it take the Germans to make Germany?

 

Avner: And look how well that worked out.

 

Ali: You don’t know what it is not to have a home. That’s why you European Reds don’t get it. You say it’s nothing, but you have a home to come back to. ETA, ANC, IRA, PLO- we all pretend we care about your “international revolution”. But we don’t care. We want to be nations. Home is everything.

 

Munich, Steven Spielberg. (2005)

 

Fonte: http://www.dailyscript.com/scripts/munich.pdf pp.102-103.



publicado por Miguel Lacerda às 14:29 | link do post | comentar

Sexta-feira, 09.09.11

 

O excelente Alberto Carlos Almeida escreveu um artigo em que aponta as incongruências do voto distrital. A sua principal crítica é sobre o facto de este tipo de voto excluir grande parte dos partidos, tornando o sistema político geralmente bipartidário. Alberto deus os exemplos dos Estados Unidos e da Grâ-Bretanha. Além disso, e visto o voto distrital basear-se no sistema  the"winners takes all", a representatividade nas eleições, segundo o autor, é posta em causa, já que um partido poder conseguir muitos mais assentos no Congresso do que a votação efectivamente conseguida.

 

O autor ainda salientou outro ponto importante, a questão da governabilidade. Ele escreveu:

 

Nós brasileiros temos preconceito contra nós mesmos. O sistema proporcional que adotamos resulta na existência de um grande partido de centro, o PMDB. O sistema distrital americano resulta na existência de somente dois partidos, Republicano e Democrata. Se formos pensar fora da caixinha, fora do tradicional, veremos que a relação custo-benefício do PMDB é bem mais favorável do que a simples existência de dois partidos como democratas e republicanos. No último mês vimos os prejuízos (de bilhões e bilhões de dólares) causados pelo sistema americano ao seu próprio país e ao mundo. Um sistema que, graças ao voto distrital, não incentiva o consenso, mas somente o conflito. O PMDB, ao contrário, confere total governabilidade ao Brasil.

 

Para mim, aqui está o principal problema da argumentação de Alberto Carlos Almeida. Se o PMDB aparanta ser o factor estabilizador da política brasileira, por outro lado tem sido igualmente o principal entrave para que qualquer reforma política avance. Um partido de grandes dimensões, sem um programa político definido e com o principal intuito de acomodar os seus integrantes em cargos políticos não é saudável para nenhuma democracia. Isto pôde ser visto durante a "limpeza" que a presidenta Dilma Rousseff teve que fazer no seu governo devido à sequência de escadândalos de corrupção que envolviam alguns dos seus ministros. Este acto que devia ser apoiado por todos levou, contudo, a um clima de tensão entre a presidenta, o seu vice (pertencente ao PMDB) e a sua base aliada.

 

Se um presidente, eleito por voto directo, está refém de uma coligação alargada de partidos, eleitos de forma proporcional, impossibilitando a maioria de um partido no Congresso, e é quase obrigado a compactuar com esquemas pouco éticos com objectivo da estabilidade política, que tipo de governabilidade temos, então? Como é depois possível responsabilizar toda esta gente através do meio mais democrático que existe:

o voto? Normalmente, acabam por ser os tribunais a terem essa tarefa, e não por bons motivos.

 



publicado por Eduardo Passos às 18:37 | link do post | comentar

Terça-feira, 23.08.11

Com um euro-entusiasmo pouco comum nos últimos tempos, o Le Figaro iniciou sua série de verão Le monde dans 20 ans, com um divertido artigo sobre o que seu autor, Jean-Jacques Mevel, espera do futuro da União Europeia e sua relação com o mundo. Desde o início o artigo me pareceu como uma tábua de salvação onde os europeístas podem se agarrar nestes tempos árduos, bradando que “a história nos dará razão”, como desafortunadamente pregaram alguns marxistas. O texto inicia com a comemoração do estabelecimento da Defesa Comum e a final acomodação da Alemanha numa condição de igualdade com franceses e britânicos. Quase se pode ouvir o alívio do articulista francês ao escrever que em seu futuro a Alemanha aceitará confortavelmente sua posição ao lado da Grã-Bretanha e França, numa condição de Estado federado em igualdade de termos. Para redimir (um pouco) seu otimismo, numa posição de quase auto-flagelo, impõe Angela Merkel como primeira líder da Federação Europeia em 2013, um suposto britânico (Martin Grand) como o chefe de governo da Europa e, por fim, batiza o navio-almirante (símbolo da nova marinha europeia) de Konrad Adenauer. Nada mais sofrido para o articulista francês, que ainda sugere um italiano como líder da oposição.

Pois bem. O que me chamou atenção no referido artigo são os passos de avanço que o Le Figaro determina para o progresso europeu. Bem estabelecido numa análise histórica, o artigo determina que os meios em direção à federação serão tomados como resposta a crises que se estabelecerão no seio dos Estados, o que os empurrarão inevitavelmente para a União. Dessa forma ele condena a Libra, o dinamismo germânico (acuado pelas taxas demográficas ou, “a maldição japonesa”) e a capacidade europeia de fazer frente ao crescimento da China, que fatalmente ultrapassará Estados Unidos e Europa tornando-se a maior potência econômica do mundo.

Este novo mundo, segundo o artigo, será o da (re)descoberta do Império do meio, que trará uma nova dinâmica para a economia mundial. Se inicialmente o mundo dos negócios pretenderá adequar-se à nova realidade, governos perceberão muito tarde suas implicações. Dessa forma, continua o artigo, as palavras do momento serão a “desglobalização” e o “neoprotecionismo”. A Europa e Estados Unidos perceberão, afinal, o que é sentir o gosto da incapacidade de fazer frente a uma concorrência desigual, e retomarão agendas tão comuns para os países em desenvolvimento no século XX. Simples assim.

Algo que me intrigou no artigo foi o papel destinado ao Brasil e América Latina. Como um bom texto de futurologia, o artigo baseia-se em fatos recentes de peso para poder divagar sobre seus resultados vindouros. Com base neste raciocínio, achei pouco criativo simplesmente determinar que a América Latina continuará no mesmo lugar, ou seja, sem qualquer evolução política, econômica ou social. Está a América Latina fadada a ser eternamente a fornecedora de bem primários e grande mercado para as quinquilharias vindas de fora? A América Latina está no presente momento respondendo à crise econômica com melhores resultados que Europa e EUA. Seus movimentos de integração e cooperação não tiveram grandes evoluções, é verdade, mas também desprezá-los foi um pouco demais. Claro que o foco do artigo eram as relações atlânticas e sino-atlânticas, mas nós pobres coitados do sul também não merecíamos um pouco de criatividade? Ou será que uma Confederação Latino Americana seria quase como relatar a chegada dos marcianos a Estrasburgo?

Bem, não podemos nos esquecer que o objetivo do artigo é o entretenimento, sem qualquer pretensão além deste. Nesse ponto é válido poder brincar com as diversas possibilidades que os trade offs futuros irão determinar. É divertido poder imaginar que qualquer decisão em sentido diverso pode levar a um mundo totalmente diferente do criado pelo artigo. Em meu mundo fictício, até consegui, com um bocado de esforço, imaginar o Brasil como a única potência mundial, depois da terceira guerra mundial. Porém, só nos conseguia imaginar com paus e pedras nas mãos, como diria o pequeno gênio.

P.s. O link para o artigo do Le Figaro, traduzido para português pelo site presseurop, é http://www.presseurop.eu/pt/content/article/875511-uma-superpotencia-tempo-inteiro



publicado por dirceubernardes às 15:19 | link do post | comentar

Quinta-feira, 06.01.11

 


No segundo aniversário da morte de Samuel Huntington dois textos na Foreign Policy relembram a obra e as ideias desta importante figura da ciência política e das relações internacionais.

 

 

Fareed Zakaria, que foi aluno de Huntington, relembra como as ideias e a maneira de Huntington de abordar as ciências sociais o inspiraram:

 

"I think more than anything else, Sam Huntington represented the view that social science is about connecting two large variables: the dependent and independent variable. Sam would often say to me, "You have to find a big independent variable and a big dependent variable." In other words, you've got to start with something big to explain. If you're trying to explain something trivial, who cares? Then, if you try to explain the French Revolution, you have to have a powerful reason to explain it. If you have 19 reasons that explain the French Revolution, nobody cares. He once said to me, "If you tell people the world is complicated, you're not doing your job as a social scientist. They already know it's complicated. Your job is to distill it, simplify it, and give them a sense of what is the single, or what are the couple, of powerful causes that explain this powerful phenomenon.""

 

No outro texto, Francis Fukuyama faz uma análise mais profunda às obras fundamentais de Huntington, desde Political Order in Changing Societies, passando por The Third Wave ou pelo clássico The Clash of Civilizations.

 

Importante ressaltar que tanto Zakaria como Fukuyama concordam que a obra mais importante de Samuel Huntington foi Political Order in Changing Societies e não a mais mediática e controversa The Clash of Civilizations.



publicado por Eduardo Passos às 04:38 | link do post | comentar

Terça-feira, 04.01.11

 

Vale a pena conferir a proposta do Think Tank Contraditório para estas presidenciais. Uma bolsa de valores compostas por várias ideias de cada candidato e em que o visitante atribui a cada a ideia um certo valor. Esta BVIP é uma boa maneira de divulgar e dar a conhecer as ideias dos candidatos, visto estarem resumidas e separadas por áreas, além de servir como termómetro para o que poderá acontecer nestas eleições.

 

Quem quiser dar lá um salto e participar é só clicar aqui.



publicado por Eduardo Passos às 02:42 | link do post | comentar

Quarta-feira, 08.12.10

 

As a result, in the years after World War I, the hubris of reason gave away not to a sober and dogged realism, but to isolationism and pacifism - new flights of fantasy that evaded the central truth that Wilson would not help his country learn: that American must bind itself to the world, even though the world would always let America down.

 

 



publicado por Eduardo Passos às 08:00 | link do post | comentar

Segunda-feira, 12.07.10

Depois do presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, ter seguido o conselho de Obama e ter criado uma conta no Twitter, ninguém esperava que esta acção fosse, no mímino, tão produtiva. Nem a própria conta da Obama é tão actualizada e tem mensagens tão interessantes como a do Kremlin. Como estamos a falar da Rússia temos que pensar que Kremlin, Medvedev, Putin, etc. ,etc., é quase só uma coisa. Mas mesmos se compararmos directamente o twitter do Kremlin com o da Casa Branca, os russos ficam a ganhar.

 

 

Contudo, hoje, o twitter Kremlin superou-se e foram publicadas mensagens interessantes como estas*:

 

Had a big meeting with our ambassadors at the Foreign Ministry. A few thoughts on its results.

Foreign policy's main goal is to improve living standards, security and cultural progress and to foster the country's overall development.

The world is currently divided in line with economic development rather than ideology. We must be on the same field as the key players.

Despite everything our relations with the US are very good, but we shouldn't miss a chance to make them even stronger.

The main thing is that Russia and the US realise that sustained development rather than weapons or spy games underlies national security.

We need modernisation alliances, first of all with Germany, France, Italy, the EU and the United States.

Russia is certain to make a contribution to tackling global challenges on a par with the other leading economies.

The Cold War is becoming a thing of the past, bu t we still need to get rid of a few lingering prejudices.

Iran may soon acquire nuclear capability. The Non-Proliferation Treaty doesn't prohibit having such capability. That's one of the problems.

Being honest and open with the IAEA is, first of all, good for Iran itself.



Algo muito interessante se passa em Moscovo. É o engagement realista de Obama a funcionar? É a Rússia a perceber que para evitar um possível G2 (Estados Unidos-China) não pode se apresentar como uma potência revisionista.

 

Kremlin no twitter: KremlinRussia_E

*As mensagens foram colocadas de forma cronológica.

Had a big meeting with our ambassadors at the Foreign Ministry. A few thoughts on its results.


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publicado por Eduardo Passos às 15:40 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Segunda-feira, 28.06.10

As maiores eleições no Burundi depois de 12 anos de uma brutal guerra civil com motivações étnicas. Pierre Nkurunziza é o único candidato depois do boicote dos partidos da oposição. A mesma situação se prevê nas eleições parlamentares de 23 de Julho.



publicado por Rui Faro Saraiva às 21:21 | link do post | comentar

Quarta-feira, 23.06.10

 

 

 

 

Será que o destino dos jogadores da Coreia do Norte vai ser mais uma vez os campos de trabalho forçado?!

 

A divisão das Coreias é uma herança da Guerra Fria, imutável no correr do tempo, resiste às mudanças na distribuição de poder no sistema internacional. Para quem ainda não leu os "Aquários de Pyongyang", vale sempre a pena ver os documentários disponíveis sobre um Estado-Pária com características únicas, a Coreia do Norte.

 

 

 

 

(o documentário Inside Undercover North Korea, contém 5 partes no Youtube)



publicado por Rui Faro Saraiva às 15:29 | link do post | comentar

Sexta-feira, 04.06.10

 

 

 

 

 

É no mínimo irónico que alguns países que tanto criticaram o realismo amoral arquitectado por Kissinger há umas décadas agora sigam o mesmo. Quando o Brasil se deslocou para o Zimbabué para jogar num estádio que está de pé graças ao dinheiro chinês e cheio de buracos no relvado, com direito a desfile de Mugabe e, finalmente -  ponto menos importante - fazer um jogo de preparação para o mundial, está a pensar em questões políticas e não desportivas.

 

Diz-se que nenhuma uma outra selecção quis aceitar o dinheiro de Mugabe. A Confederação Brasileira de Futebol  (CBF) aceitou o seu milhão de dólares, aparentemente, sem problemas nenhum. Nada muito ético, diga-se de passagem. Tirando a família e os amigos de Mugabe o resto da população do Zimbabué quase não tem o que comer.

 

O governo brasileiro já veio dizer que o jogo foi um acordo directo entre a CBF. É difícil de acreditar nisso quando o próprio Mugabe diz ter-se encontrado com Lula aquando da última viagem deste ao Irão. É difícil acreditar nisso visto que o jogo amigável foi anunciado poucos dias antes da realização do mesmo. É difícil de acreditar que a CBF sozinha negociasse a ida da selecção brasileira para um país como o Zimbabué sem o respaldo do Itamaraty.

 

É necessário lembrar a política que Lula tem desenvolvido para África ao longo dos últimos anos, onde dezenas de embaixadas brasileiras foram abertas, e por onde Lula tem passeado o poder emergente brasileiro .No próximo dia 2 de Julho, Lula fará mais um tour pelo continente africano. A visita deve passar por 7 países e terminar na África do Sul, na final do Campeonato do Mundo.

 

O Zimbabué não deve ser contemplando com a presença de Lula. Mas já nem é preciso. O regime de Mugabe  já obteve o que precisava do Brasil: passar uma imagem mais "limpa" para todo o mundo. E o que o Brasil ganhou? A selecção em si nada. Já o país, quer dizer...Lula, não se sabe. Aliás, já começa a ficar difícil perceber se Lula está à procura do Nobel da Paz, de ser secretário-geral da ONU, de chegar ao Banco Mundial, de conseguir que o Brasil tenha um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, de resolver a crise no Médio Oriente, de reformular o sistema internacional, de desafiar o imperialismo americano, etc.

 

O próximo presidente brasileiro talvez possa clarificar um pouco mais o rumo da política externa brasileira.



publicado por Eduardo Passos às 00:19 | link do post | comentar

Quinta-feira, 03.06.10

Os dilemas da integração ecónomica europeia. Neste caso, hilário. Na realidade, preocupante.



publicado por Eduardo Passos às 21:57 | link do post | comentar

O jornal sul-africano The Sunday noticiou que poderá existir um campo de treino de uma célula da Al-Qaeda, por isso torna-se oportuno colocar um link sobre o assunto, este link vós reencaminhará para um jornal moçambicano que abordou a problemática mais aprofundada, também, peço encarecidamente aos leitores moçambicanos emitirem as suas opiniões, de modo a trazerem maiores esclarecimento ao assunto. http://www.opais.co.mz/index.php? Option=com_content&view=article&id=6586:ha-celulas-de-al-qaeda-em-mocambique&catid=45:sociedade&I



publicado por Sérgio Dundão às 18:36 | link do post | comentar

Terça-feira, 01.06.10

Não sai da minha cabeça a imagem de um anão armado, com aqueles cintos de balas de metralhadoras atravessadas no peito ao estilo “Rambo”, com uma faixa na cabeça e uma faca entre os dentes, rangendo  com fúria diante da aproximação de qualquer um que possa demonstrar escárnio diante de tão pitoresca cena. É essa a imagem que me vem à cabeça quando penso no ataque covarde de Israel contra o comboio humanitário que seguia para a faixa de Gaza. Explico.

Desde a criação daquele pela ONU em 1946, a sua breve história está recheada de conflitos com seus vários vizinhos muçulmanos ao redor, que em maior ou menor grau tem dificuldade em aceitar sua existência. Através de muito capital vindo de fora, o pequeno anão, sempre agressivo, pode ir acrescentando à sua indumentária diversos tipos de máquinas de matar, enquanto pragmaticamente tornava-se cada vez mais agressivo e insolente, à medida que via que sua capacidade de defesa (e ataque) tornava-se cada vez maior, apesar de sua pequenez.

E assim este pequeno anão tornou-se um psicopata. Vendo que sua própria existência dependia do medo que este podia infligir aos que o rodeavam, e tendo comprovado sua capacidade letal a alguns valentões que não acreditavam no potencial do pequeno anão, este se tornou mais e mais respeitado (temido) em sua pequena, porém conturbada, comunidade.

Mas como todo ser que sente o poder em suas mãos, o pequeno anão, agora armado até os dentes, passou a subjugar outros anões da região, pobres e desorganizados, que não tinham capacidade de defesa, que utilizavam apenas paus e pedras para defenderem-se.

O pequeno anão, que já não tinha discernimento entre o bom e o mau, passou a atormentar todos os que passavam ao seu redor, sempre com sua faca entre os dentes e a mão manchada de sangue, sussurrando para quem quisesse ouvir que ali quem manda é ele.

E então chegou o dia em que um bando de “neo-hippies”, em barquinhos de papel, resolveram passar perto do anão e mostraram a língua, outros fizeram uma “banana”, enquanto algum terceiro pode até ter xingado a mão do anão, o que levou aquele a ficar tão enraivecido, cego de ódio, que desferiu golpes mortais a boa parte daquela gente irritante, porém inofensiva.

Resultado, muitos revoltaram-se, alegaram que o anão está completamente louco e que deveria ser internado, que contra insultos nunca responde-se com violência, entre outros argumentos que parecem razoáveis a toda a gente.

Perguntado, o pequeno anão disse que agiu em defesa de sua honra, e que de sua honra depende sua existência. E que os grandes, principalmente os fortes e esbeltos, são hipócritas em criticá-lo, pois agiriam da mesma forma diante daquelas “línguas de fora”.

Os grandes, reunidos, não sabem o que fazer. Alguns até são amigos do anão, outros temem as armas que ele carrega com dificuldade em seus braços, então poucas vozes levantam-se para demonstrar todo o absurdo da situação.



publicado por Dirceu Bernardes Filho às 17:05 | link do post | comentar

Quarta-feira, 12.05.10

A política externa normalmente não é assunto de destaque nas campanhas presidenciais no Brasil, seja por ter pouco apelo às camadas mais populares, seja pelo pequeno campo de manobra que o país até outrora tinha utilizado para representar-se no cenário mundial, ou ainda pela relativa participação do  governo federal neste campo dominado pelo institucionalizado e relativamente independente Itamaraty.

Porém, temos visto que desde o primeiro round destas eleições que se avizinham, os principais candidatos tem utilizado seus projetos de política externa como áreas prioritárias em suas campanhas, buscando estabelecer pontos concretos em relação às suas propostas de governo.

A relevância da política externa nas eleições para presidência é claramente influenciada pelo novo papel que o Brasil tem representado perante a Comunidade Internacional, alavancado pelo governo do presidente Lula, que buscou inserir o país numa audaciosa recolocação no cenário internacional. Apesar de algumas bandeiras serem já históricas, como o pleito de uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, a política prioritária sul-sul e a atuação em questões internacionais como as relações com o Irã são claramente políticas adotadas por Lula.

Enquanto a candidata do partido do presidente, Dilma Rousseff, declara tão somente a continuidade dos projetos iniciados por Lula, o candidato da oposição, o social democrata José Serra, busca pautar suas propostas numa completa ruptura com o projeto anterior. Um passo neste sentido foi sua declaração para empresários de que, caso eleito, modificaria ou extinguiria o MERCOSUL, que entende ser contrário aos interesses brasileiros. Indica assim que, ao menos no campo externo, tentaria alterar drasticamente o legado de Lula.

A explicação para este fato pode estar mais relacionado à questões internas que externas. José Serra tem pouco  campo de manobra ao confrontar o governo atual. Lula, com uma aprovação de quase 80%, abocanhou em seu governo muitas das bandeiras do partido social democrata, deixando a alternativa a Serra de, ou ir contra propostas até outrora defendidas, ou atacar políticas amplamente apoiadas pela população brasileira, o que poderia arruinar seu pleito. Ambas são desastrosas para o candidato da oposição.

Parece que uma terceira via menos danosa seria não confrontar as políticas internas do governo, ao contrário, assumi-las como suas, acrescendo a elas sua experiência e fama como bom administrador.

Dessa forma, sobraria a política externa para demarcar a diferença entre os candidatos, que tem um apelo menor ao grande eleitorado quando em relação aos seus êxitos, mas, por outro lado, pode ser retumbante quando refere-se às políticas delicadas tomadas pelo governo Lula, como a questão de Honduras, a petrolífera da Petrobras na Bolívia ou o relacionamento com o Irã, temas amplamente divulgados na mídia.

Assim, espera-se que a campanha de José Serra seja amplamente pautada em demonstrar as diferenças individuais dos candidatos à presidência, dando pouca ênfase para as diferenças de projetos, enquanto o PT de Dilma buscará acorrentar a candidatura do social democrata nas lembranças pouco gloriosas do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, do qual Serra foi ministro.



publicado por Dirceu Bernardes Filho às 01:00 | link do post | comentar

Sábado, 24.04.10

 

22 de Novembro de 1972, o National Security Advisor de Nixon, almoçou com Jan Cushing em Paris, no restaurante "Tante Louise", na Rue Boissy D' Anglas. A Polícia afastou os curiosos, o menu degustado foi fígado de vitela grelhado. Kissinger e Cushing entraram no carro e voltaram à embaixada americana em Paris. Kissinger preparava o acordo de paz secreto com Le Duc Tho, do Vietname do Norte: os Acordos de Paz de Paris de 1973.


publicado por Rui Faro Saraiva às 21:45 | link do post | comentar

Segunda-feira, 19.04.10

 

 

 

Depois do debate de 15 de Abril, Nick Clegg, ascendeu ao maior nível de popularidade no Reino Unido, desde Winston Churchill.

 

Uma das frases mais repetidas por Gordon Brown no referido debate foi "I agree with Nick". Simultaneamente o líder dos Liberal Democrats demarcou-se das posições do líder do Labour Party.

 

Brown criou a sua própria ratoeira, criou um soundbite poderoso que vai favorecer em larga medida Nick Clegg. As buscas no google, mostram que uma das frases mais procuradas no Reino Unido, durante a última semana, foi exactamente: "I agree with Nick".

 

 

(Vídeo promocional dos Lib Dems, depois do debate de 15 de Abril)

 

 

As sondagens da BPIX, mostram o líder dos Lib Dems em primeiro lugar, enquanto que a YouGov Plc, ComRes Ltd, e a ICM mostram Cameron na liderança por uma margem mínima.

 

Como a Joana demonstrou no seu post anterior, uma das circunstâncias pós-eleitorais mais prováveis no Reino Unido é a existência de um Hung Parliament, e a necessidade de um governo de coligação. Dado a recente Cleggmania, o líder dos Lib Dems, terá uma palavra fundamental a dizer, e até poderá ocupar o nº 10 de Downing Street (desde David Lloyd George, em 1916, último PM liberal).

 

A atenção está agora no tipo de coligação que irá surgir, uma coligação LibLab (liberais e trabalhistas, a mais provável), uma coligação entre conservadores e trabalhistas (improvável), ou uma coligação entre os Lib Dems e os Tories (também improvável). A primeira, parece ser a mais real tendo em conta a história dos três partidos, indicando que quem perde mais com a ascensão de Clegg é  David Cameron.

 

Porém ainda está tudo em aberto, a prestação dos diversos líderes políticos nesta e na próxima semana será fundamental. O próximo debate será nesta quinta-feira, às 21h, o enfoque principal vai ser a política externa britânica.

 

 

(Vídeo: debate de 15 de Abril entre David Cameron, Nick Clegg e Gordon Brown)


publicado por Rui Faro Saraiva às 21:49 | link do post | comentar

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